lunes, 22 de febrero de 2010

novo poema de Ramiro Torres


As cores encontram a feliz explosão do mundo:
em teus olhos há uma promesa redonda para a
vidência irradiante, na cercania desta misteriosa
órbita que nos precipita em teu boca iluminada.

A cabeça transparenta uma lua enchida de vozes
que falam ao nosso ser na sua única língua plena:
enchidos de fogo, os cabelos descobrem o tacto
do infinito repousado na iniciação do relâmpago.
Fevereiro de 2010.

miércoles, 17 de febrero de 2010

Poema para unha obra

É perfeita a espera nessa luz circular
Que vos une, sentado no vosso regaço
O espessor dos astros, o ser suspenso
Ante a iminente explosão no seu seio.

Uma flor sustém o mundo, atrai para si
O silêncio que flui do centro: nos olhos,
Ardente, a fascinação aguardada para
Reabitar a Noite desprega os seus lábios.

Setembro de 2009

Gioconda


Para Inma Doval, gravitadora de luz.

Hora do sonho perpétuo, munidor de
Cidades nocturnas, abertas no pálpito
Que atesouram para a nossa percepção:
É este o lugar propício para a mudança
De todo o corpo num imenso ponto
Onde convergem os prédios iluminados
Na iridescência de um jardim lunar.
Aguarda-nos aqui um vinho eterno a
Absorver a memória do céu inteiro,
Virado o presente em silêncio inebriante
Que frutifica nos olhos como um astro
Esquecido, a fluir seu sangue em nós.

Dezembro de 2009.

Xacobe (auga)

Para o Xacobe, na casa comum da vida.

A água irrompe no nosso centro, traz um
Tempo inteiro para nos levar, inermes, até
O imenso trabalho de despertarmos, outros.
Uma chamada acontece nos ossos lácteos
Da ingravidez: armados de vozes brancas
Penetramos na memória para ocupar as
Ilhas subtilmente desnudas trás os olhos.
Nossa é esta imutável pertença ao ciclo
Das mãos entrelaçando o corpo do mistério,
Na hábil doação dos sentidos a seu destino.

Dezembro de 2009.

Violeta

Para Violeta, Inma e Xacobe,
Fecundadores de encontros.

Violeta entra no território das luas dormidas,
Incandescente a beleza deitada nas suas mãos
Oscilando sobre as magias convocadas nela.
Leva uma árvore em cada olho, a descobrir as
Entradas no reino pleno que emerge em cada
Trânsito da luz na imanência do mundo: é sua
A arte de beber no misterioso florir do tempo.

Janeiro de 2010.

A nossa casa

Para Xacobe, Inma e Violeta, em sua casa fascinante.

Palpita a casa mentres criais sonhos candentes:
contém os percursos no infinito em sua estância,
as vértebras do futuro abertas para acolher-vos,
moradores de um pulmão solar, no fluxo certo
do vosso amor como lava nas artérias da vida.

Habitais na fábrica do tempo, onde se trabalha
a germinação de cada poro da realidade em luz
de outra noite, devastado o medo pola beleza.
Acompanhais aqui a perpétua transformação do
presente em casa a brilhar nos olhos de Violeta.

Fevereiro de 2010.