lunes, 16 de agosto de 2010

Os amantes procuram a vertigem...



Os amantes procuram a vertigem que

dessangra

os seu dedos

no tacto de bosques a despertar:

bebem numa mesma branquia nocturna,

traspasados por uma fome sem idade

até ocupar-se na desaparção

nos seus corpos para

desabarem, desnudos, na comum

memória que invade as suas bocas.

Fundidas num abraço inesperado

as suas peles derraman-se numa

incandescente terra que

só por eles existe,

inteiramente abrolhados a uma

melodia que os transforma

em equilíbrio inebriante de um

planeta devorado nas suas pálpebras.


Ramiro Torres, agosto de 2010