Os amantes procuram a vertigem que
dessangra
os seu dedos
no tacto de bosques a despertar:
bebem numa mesma branquia nocturna,
traspasados por uma fome sem idade
até ocupar-se na desaparção
nos seus corpos para
desabarem, desnudos, na comum
memória que invade as suas bocas.
Fundidas num abraço inesperado
as suas peles derraman-se numa
incandescente terra que
só por eles existe,
inteiramente abrolhados a uma
melodia que os transforma
em equilíbrio inebriante de um
planeta devorado nas suas pálpebras.
Ramiro Torres, agosto de 2010
